domingo, 2 de março de 2014

Folia




Carne vem
Carne vai
Oh! que alegria!
Quando é boa
Quando é boa
Cai na folia
Segue o cordão
Colombina que é feliz
Com Pierrô e Arlequim
Aos seus pés
Desconhece a solidão
Que alegria!
Que alegria!
Como é boa!
Como é boa! (02/03/14)

sábado, 1 de março de 2014

Truque



Foto: Eu de Rennê. Tentei usar um truque pra diminuir os olhos, mas não funcionou...
#eyes #bigeyes #glasses #glassesarecool #olhosgrandes #mulheresdeolhosgrandes



Para Camila Bibia

Eu quero esse seu sorriso nessa noite
Quero esse seu olhar sobre mim
Iluminando minhas trevas
Sei que estás distante
Mas tu podes me destinar
Sua atenção
Aí eu ficarei encantado
Contigo em mim
Bem próxima
Sorrindo
Me olhando
Convicta de que suas retinas
Não ficarão exaustas. (24/02/14)


Comercial





Quem te disse Berenice
Que poesia é tolice?
Quem te disse Berenice
Que minha poesia é mesmice?
Quem te disse Berenice
Que o silêncio qualifica a burrice?
Quem te indagou Berenice
Para que indagasses Berenice?
Deixaste uma indagação Berenice
No final do comercial
A qual motivou esse poema
Não sei se ficou legal
Destino –lhe esse meu dilema. (05/09/13)

Foi por ti que eu clamei













Foi por ti que eu clamei
Quando a solidão me invadiu
Foi por ti que eu clamei
Quando fiquei no deserto
Foi por ti que eu clamei
Quando fiquei sem pátria
E sem idioma
Foi por ti que eu clamei
Quando meu olhar ficou obsceno
Vendo o que havia além dos teus pelos
Foi por ti que eu clamei
Quando me faltou a palavra certa
Para concluir um poema
Foi por ti que eu clamei
Quando meus pés ficaram fincados no riacho
Ignorando a jornada por fazer
Foi por ti que eu clamei
Quando desejei retornar às terras dos meus ancestrais
Foi por ti que eu clamei
Quando me disseram que minha cabeça
Seria ofertada em uma bandeja aos meus desafetos
Foi por ti que eu clamei
Quando acordei assustado
Entendendo que tudo foi apenas um sonho ruim. (4/0913)

Cantiga



Para Milton Carlos

Acordei com sua voz nos meus ouvidos
Cantando uma cantiga
Que não caiu no meu esquecimento
Uma lágrima loira
Abriu caminhos no meu rosto
E foi morrer na mágoa do mar
O caminho ficou aberto na minha face
Acomodando as brincadeiras do vento. (27/08/13)


Bipartire




















O tempo passou entre nós
Nos deixou suas marcas
Suas leis
Um abismo se fez
Entre mim e ti
Para que nossos caminhos
Nunca mais se cruzassem. (13/08/13)




sábado, 1 de fevereiro de 2014

Lirismo despudorado



Estou farto do lirismo comedido *
Que me venha o lirismo despudorado
Me sondar a alma
Escorrer nos meus versos
Fazendo-se poesia
Esticando-se no varal
Que se alonga pela cidade
Que esse lirismo despudorado
Me liberte
Invada as casas
Os campos
Dançando no ar
Se ocultando nas narinas
Das mocinhas católicas
Que me depreciam aos sábados.

Verso inicial de Manuel Bandeira * (08/11/13)


Raízes do silêncio



Calaram-se as vozes *
Findou-se a vez
Findou- se outros atos
Vigora o silêncio no recinto
O que não foi dito
O que se quer dizer
Ficou por dizer
Ficou fazendo barulho
Na quietude imposta
Pela omissão... (01/11/13)


Verso inicial de Francisco Carvalho *

Pedido



Mulher, deixa- me sonhar contigo*
Acate esse meu pedido
Sendo sempre um vocativo
Oportuno aos teus ouvidos
Mulher amada,vem para os meus sonhos
Não te arrependerás
Estarei sempre contigo
Embora não esteja comigo. (04/11/13)

Verso inicial de Luciano Maia *
  


Recordarás





Recordarás o ramo que te trouxe*
Naquela tarde de maio
Minhas mãos tremiam minha menina
Guardaste-o entre os seios
Meu olhar ficou lá também
Tocando-os como se fossem minhas mãos
Que nem se atreviam
Mas queriam tanto percorrer-te
E levar nas suas palmas a memória do seu corpo. (31/10/13)


 Verso inicial de Pablo Neruda *

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Contemplação


Olho-me no espelho
Não sou mais sereno
Não sou mais jovem
Perdi meu olhar dileto
Minha face não oculta que tudo passou.
Um novo tempo habita meu corpo
Convicto da transitoriedade. (27/10/12)



O que me prende aqui?




Portas e janelas estão abertas
Posso fugir
Não consigo passar por elas
O que me prende aqui
Se meus pés não estão presos a este solo?
O que me prende aqui se não me queres mais?
O que me prende aqui se rasgaste os versos que te dei?
O que me prende aqui se portas e janelas me mandam ir embora?
Tento edificar outra indagação
Mas me vem a voz do vento e me silencia
Aquieto-me com meus escritos rasgados e me vou
Com o vento que não me deixa mais falar. (11/08/12)