quarta-feira, 25 de março de 2026
Aos conservadores em suas latas II
não me venha com sua lata com tampa e fundo
não me venha com sua lata lotada de preconceitos, racismo,
feminicídio, falso moralismo… tudo bem conservado
não me venha com sua lata colorida exibindo sua foto
exaltando a hipocrisia
não me venha com sua lata enfeitar os meus dias
não me venha com sua lata pequena ou grande
com tudo bem conservado
não me venha com sua lata pois eu tenho várias
sem tampa e sem fundo por onde passa a diversidade,
as diferenças, amor e mais amor para acolher a todos
no meu mundo, vasto mundo.
Da memória de um escriba
a lésbica que eu amava
era um substantivo feminino acentuado
a lésbica que eu amava era uma proparoxítona
na antepenúltima sílaba silabou adeus
que me destinou à solidão.
Outra forma de dizer que somos todos iguais
os caras brancos mijam
os caras negros mijam
suas urinas se misturam no sanitário
eles não percebem que ficam iguais no vaso
eles não percebem que os odores se unificam
difícil saber qual urina fede mais
tudo fica igual no vaso
mas os caras brancos e os caras negros
seguem desiguais por aí.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026
Bem vivas
não gosto de rosas
elas iludem as mulheres
enfeitam seus corpos mortos
ficam aos montes sobre os seus túmulos
gosto de rosas vermelhas fincadas na terra
sob a vadiagem dos ventos que assanham meus cabelos
gosto de rosas diversas se avolumando nos jardins
vivas, bem vivas
como as mulheres que eu vejo indo e vindo
nas minhas andanças. (30\10\25)
Para Adélia Prado
o teu eu poético me revela Jonathan
causas-me ciúmes
vejo-o deitado nos teus versos
lindo é o meu nome mas tu não o mostras nos teus poemas
para piorar meu ciúme tu fazes uma trindade
unindo-se a Deus e ao Jonathan. (11\11\25)
De um dizer da minha amada
alexa é o olho que tudo ver
ela só não ver o olho do teu cupiscando para mim pela manhã
ela também não deduz os fonemas matinais
que o teu orifício joga no ar. (09\02\26)
sexta-feira, 23 de janeiro de 2026
Aparição matinal de janeiro
vi teus olhos lindos como o mar em calmaria
vi tua face se assemelhando a de uma santa
tudo era lindo em ti
até os teus cabelos cobrindo as tuas costas.
Para os meus e para os teus filhos
meu filho, minha filha
fujam das bandeiras penduradas nas janelas
fujam dos gritos Deus, pátria e família
meu filho, minha filha
fujam de toda espécie nacionalista
é uma doença
é uma opressão
meu filho, minha filha
amem seu país como se ama um homem ou uma mulher
e quando há alaridos é o gozo desse amor
fazendo-se cantiga.
A poesia das coisas
minha mulher acha a coisa mais linda
mangas reunidas numa bacia
mangas rosadas tal qual as faces das moças brancas
isso ela não diz, isso é uma metáfora que salta no poema
minha mulher acha lindo mesmo são as mangas enchendo uma bacia
da cozinha ouço seus gritos de admiração
alcanço a cozinha e sua voz me diz: só eu acho isso bonito
olho para ela sorrindo, porque estás a sorrir?
_ acabaste de me dar um poema.
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