sexta-feira, 7 de junho de 2024

Mortalha

 

Escolhi minha mortalha

Usei -a entre os mortais

Usei-a sem pagar promessas

Fui franciscano por vários dias

Sinto que ainda o sou por este mundo

Meu epitáfio um dia escreverei

Tomara que dê tempo

Antes da morte chegar. (06\05\24) 

Revelação matinal

 

O poeta olha o tempo pela janela aberta

Come uma banana doce como os lábios de Iracema

Seu olhar alcança distâncias

Depara-se com o infinito

Onde tudo finda. (03\05\24)

 

Nova jornada

 

Sob o sol envelheci

Sob o céu compreendi o que é infinito

No mar constatei o que aprendi sob o céu

Minhas andanças concluem ciclos

A esperança faze-me dar novas passadas

Na longa estrada na qual deito os olhos

Contando sessenta anos

Encetando uma nova jornada. (17\05\24)

segunda-feira, 6 de maio de 2024

Metáfora matinal

 



sentir o mundo

sentir-me

todo sentimento

que couber em mim

sentir sempre

o tempo todo

e transbordar o cálice

como se vinho fosse. .

Discurso do meu olhar

 



baby, tira os olhos do celular

e deita-os em mim

navegue na minha nau de desejos

leia minhas lendas

decifre minhas imagens

fixa esse olhar perdido no meu rosto

baby, o tempo passou

o dia terminou

envelhecemos sob o céu

e nem me percebeste.

Revelação matinal

 

O poeta olha o tempo pela janela aberta


Come uma banana doce como os lábios de mel de Iracema

Seu olhar alcança distâncias

Depara-se com o infinito

Onde tudo finda. 

sexta-feira, 5 de abril de 2024

Revelação vespertina

 Espelho, amigo verdadeiro


Venho a ti com o meu olhar de agora

Tu me revelas como estou

Não me ocultas nada

Afago meu rosto diante de ti

Sondo o que me exibes

De nada discordo

Deslizo os dedos nos cabelos brancos

E me vou sem mágoas do meu amigo.



O verso que inicia o poema é de Manuel Bandeira  

Saber matinal

 

o vento sabe meu nome

leva-o aos teus ouvidos

o vento sabe meu nome

e levanta tua saia

o vento sabe meu nome

e brinca nos teus cabelos

o vento sabe meu nome

desliza-o no teu corpo

o vento sabe meu nome

e isso me basta. 

 

O verso que se repete serve de título ao livro de Izabel Allende 

 

 

 

Palimpsesto vespertino

 



tudo jaz

porque a profecia se cumpriu

nem uma sílaba foi poupada da promessa

as dores do céu se irmanaram as dores da terra

não ficou pedra sobre pedra

e as que tinham garganta gritaram.

sexta-feira, 8 de março de 2024

Na parede

um prego no espelho

segura-o na parede

conta uma história

como se fosse um livro

um prego no espelho

sem moldura

fica alto do chão

um prego no espelho

brilha como se fosse um olho

vendo tudo envelhecer diante de si. (19\02\24) 

 

Saber matinal

 


o vento sabe meu nome

leva-o aos teus ouvidos

o vento sabe meu nome

e levanta tua saia

o vento sabe meu nome

e brinca nos teus cabelos

o vento sabe meu nome

desliza-o no teu corpo

o vento sabe meu nome

e isso me basta. (07\03\24)



O verso que se repete serve de título ao livro de Izabel Allende 

 

inominavel





o que eu sinto não tem nome

sinto apenas

sinto muito

não sei por que sinto algo inominável

neste dia oito de março

cubro-me de indagações

amparo-me na lógica

e nada concluo

e nada tenho como resposta. (08\03\24)