quarta-feira, 1 de setembro de 2021

Poema ofegante II


sob o sol
ofega
a afegã
sob a burca
uma mulher conspurcada
pela mão
pela ideologia
do seu algoz
vejo os olhos da mulher
a burca entristece - os
olho - a indo sob tantos tecidos
tecendo distâncias pelo caminho.  

Poema ofegante I



burca na terra
burca sob o sol
mulher emburcada?
a vida embutida na burca
mulher com burca vive
mulher sem burca morre
pode-se emborcar a burca?
mulher com burca é conspurcada
Sob o sol
sobre a terra
ofega
a afegã vence o algoz
insubmissa a burca.  

Para ficar


Não venha mais deitar seus olhos sobre os meus
Não venha mais se ocultar no meu corpo
Não venha mais se esticar nas linhas dos meus versos
Não venha mais tatuar suas memórias nas minhas costas
Não venha mais molhar minha face com suas lágrimas
Não venha mais pelos meus caminhos diletos
Não venha mais comer meu falo e minha fala
Não venha mais iluminar minhas trevas
Não venha mais me deixar insone
Não venha mais se não for para ficar. 

terça-feira, 3 de agosto de 2021

Sob o céu da pátria armada


sob o céu da pátria armada o amor padece
a bala no ar sempre encontra o que procura
a bala pesa no ar?
faz volume no espaço?
faz estrago
pôe fim ao que desejava continuar
sob o céu da pátria armada
o hino que balança as bandeiras
não é cantado pelos mortais
as armas assumem o comando
e cantam intensamente na terra sob o céu
onde o amor pouco suspira.  

Sob a cruz


muitas vezes gemi no meio da noite
e tu me olhavas crucificado
fiquei insone e solitário olhando o pulso e os ponteiros
correndo entre os números do relógio
dores me dominavam
o tempo passando
sentia sua passagem
a luz do novo dia caia sobre mim
alegrei-me porque ainda havia vida em mim
e a esperança acenando-me
enquanto me ergo. 

Poema a gosto


na fila olho a mulher do próximo
longe de mim
vejo- a de perfil
vejo- a de costas
seus cabelos negros alcançam - lhe a bunda
provida de beleza sob o short jeans azul. 

sexta-feira, 2 de julho de 2021

Minha realidade


desejo escrever poemas até a última respiração
minha realidade é poética
mas onde está o primeiro verso?
pego a caneta
abro o caderninho e deito os olhos na folha em branco
já é madrugada e ainda não veio nenhum fonema
cá estou e a poesia também
mas não a vejo no tudo poético do existir. 

Das linhas de um salmo sabático


meu sacrifício é minha alma penitente
levo- a pelas ruas da cidade
minha alma penitente é a minha mensagem
vejam- me
leiam minha alma
mostrei- a a Deus em um dos sábados do mês de junho
era quase meio dia
no templo cantei alto
o sacerdote ouviu minha voz
e a minha alma penitente se foi contente
levando o sorriso dos olhos do reverendo.

O primeiro verso pertence ao salmo 50

Entre os mortais


pão na rua
pão na calçada
pão no lixo
pão dormido
pão que sobrou
pão que faltou
aqui
ali
acolá
vejo esse pão que falta
vejo esse pão que sobra
indo ou vindo
entre os mortais. 

quinta-feira, 3 de junho de 2021

Cantiga

 

Essa dor que trago comigo

É velha companheira

Rival da solidão que não sai de mim

Fazendo ritmo e canção

Que não tocará no rádio

Ouvirás cada verso da cantiga

No meu corpo

Quando me encontrares. (14/11/12) 

 

minha poesia



Que a minha poesia alcance as almas
Dos meus leitores
Que as minhas musas me possuam sempre
Para que nenhum poema fique
Na incerta espera
E eu não tenha que lhe dizer :
-Venha depois. (29/01/14)

Indagações de um corpo pecador ao corpo divino de Jesus



teço indagações nos meus dias
algumas eu respondo
outras os outros me dizem
assim vou vivendo entre a cruz e a espada
entre fé e lutas
mais lutas do que fé ou mais fé do que lutas?
mais uma pergunta carecendo de uma resposta
dada por mim ou por alguém
deste ou de outro mundo.