sou devoto da tua nudez
curvo-me a ela
rezo para que tenhas vida longa
e não me abandones nas minhas noites insones
tu me olhas de joelhos e me destinas teu sorriso
Dentro do tempo veloz
Eu estou
Dentro do tempo veloz
Envelheço
Dentro do tempo veloz
Pedras não ficam sob pedras
Dentro do tempo veloz
Tudo passa, pois nada é para sempre
Dentro do tempo veloz
Uns vivem, outros morrem
Dentro do tempo veloz
Lágrimas e sorrisos
Dentro do tempo veloz
Eu e tu
Tu e eu
Horas em silêncio
Horas aos gritos
Aprendendo e desaprendendo
Trilhando os caminhos da infância
Que não alcança a criança que fomos.
Ao terminar um poema respiro
Como se
findasse uma meditação
Olho a
minha volta e ainda estou aqui
Sentindo
tantas coisas entre os mortais
Vendo o
que ninguém ver
com
palavras novas para ouvidos
que não
querem ouvir.
Se me encontrares no meio do mundo
Não me
reconheça
Se me encontrares
no meio do mundo
Siga seu
caminho e não olhe para trás
Se me
encontrares no meio do mundo
Não me
destine acenos
Se me
encontres no meio do mundo
Não me
olhe nos olhos
Se me
encontres no meio mundo
Duvide do
que julga ver
Se me
encontrares no meio do mundo
Seremos
silêncios passando com o tempo.
Numa total
invisibilidade.
vendo-lhe
mulher feita
recordei
quando tu eras uma menina
e num
abraço eu te erguia do chão
tua mãe
não gostava disso
mas tu
gostavas
quando me
vias corrias para mim
para
ficares nas alturas
nos meus braços.