quinta-feira, 1 de junho de 2017

Poema direto I

amá-la quero
a mala do mistério
custa-me mais
causa-me mais medo
que amá-la indo
ou amá-la vindo. (25/05/17)



Cilada

A serpente dourada voava acima dos amantes
devorava frutas
tecia armadilhas enquanto voava
os amantes do Éden nem imaginavam
mas sabiam que seriam tentados
não sabiam se iriam resistir
nada sabiam das armas e defesas
ainda eram desprovidos do conhecimento
que nos conduz aos braços da morte
e eles tropeçaram  e ainda hoje
a tal serpente ri por todo ocidente
conduzindo outros tantos à queda. 


trovas

Caí no teu esquecimento
na rua nem me notas
acho que não tens nenhum sentimento
és indiferente até às minhas marmotas.


Melisa  por onde andará?
onde ela estiver espalha beleza
sua fala diz a todos os ventos  que não se acabará
minha paixão por ela isso é que é certeza.


Hoje canto com Nossa Senhora
me acompanha seu canto de amor
que alegra bem  mais minha alma nesta hora
levo seu magnificat por onde eu for.


Tua boca era minha tu me dizias
Hoje vendo tua boca em outra boca
Recordo  sem alegrias
Que tinhas a cabeça oca.


Trago para minha trova Maria Santíssima
Minha justa advogada no céu
Se na terra algum dia eu for réu
Socorrei-me também minha mãe justíssima.



segunda-feira, 1 de maio de 2017

Aquelas pernas




É domingo
Sento-me no Ponto do Café
A moça me vem peço-lhe um capuccino
Pessoas vem e vão
Aquelas pernas são de endoidecer
Elas já se foram mas ainda estão no meu lembrar
Cai-me na memória Vinícius de Moraes
E a sua poesia se revela diante dos meus olhos
É domingo
O capuccino esfriando na mesa
E eu aqui no shopping pensando em uma metáfora
Evocando a poesia
E aquelas pernas já se foram
Levaram meu poema com elas?
Ou ele ficou aqui cá dentro de mim remoendo imagens?
É domingo
Salve-me poetinha estimado
Mulheres vem e vão
Mas aquelas pernas!
Entrego-as à ficção. (02/04/17)


Sempre assim



Tu és tão branquinha
Que tu ficas rosada ao me sorrir
Fazes-me recordar a manga
Que eu chupava na infância
Vem me trazer memórias
De um tempo que passou
Vem cair nos meus olhos
E deitar teu cheiro nas minhas narinas
Porque a noite já vem
E tu vais me deixar só
No meu leito de palavras. (06/04/17)



Poema de uma face

O homem atrás do bigode
Não revela seu sorriso
Exibe asas negras
Ocultando seus dentes brancos
A fala escapa entre os pelos longos
Os fonemas no canto da boca
Vão se esticando no ar
Que revela o homem
Sua pouca linguagem
Atrás do bigode. (12/04/17)

O primeiro verso é de Carlos Drummond de Andrade



No meu lugar



Andei contrito pela cidade
Olhei o céu azul
O sol ardendo na minha pele
Andanças e mais andanças
Uma tristeza me seguia
Veio-me a mente uma das tuas canções
Cantei-a indiferente aos transeuntes
Que me olhavam numa 3x4 de uma fotografia
Que se tecia em suas retinas
Ignorei-os
Deixei a cantiga persistir na tristeza mais longa
Que os caminhos que eu iria percorrer
Meu olhar caiu em um farto bigode ao vento
Imaginei o teu
Olhei-o bem
Destinei-lhe um aceno
Sorri para o homem contrito como eu
Uma metáfora de ti. (01/05/17)


sábado, 1 de abril de 2017

Trovas





Ainda verei minha musa?
O desencontro persiste
Desde que partiste
Com a minha blusa.



Em silêncio me dizias adeus
Só agora consigo entender
Por isso vivo a sofrer
Porque nem beijei os lábios teus.




Sinto vontade de afagar-lhe a bunda
Quando te jogas nos meus braços
Esse desejo me afunda
No laço dos teus abraços.



Sabrina sempre na minha trova
Deitando-se nos meus versos
Pondo-me à prova
Dos seus encantos diversos.

Aquela dona




Aquela dona que a desfrutaste bem
Hoje a vi na rua
Uma aliança brilhava no seu dedo
A juventude ainda lhe acompanha
E a beleza também
Recordo que a deitei nos meus versos
Recordo que a amei entre palavras
Que não alcançaram os ouvidos dela
Ela só tinha olhos para ti caro amigo
Nesse contexto um poeta luta em vão
Novas lutas nem se erguem
Porque a tal dona já se destinou a outro. (05/03/17)


Dúvidas





Ouço tua boca
Nesta vida
Neste momento
Neste tempo
Nesta hora
Indago a mim se a voz que tenho nos ouvidos
É a mesma que ouço após o sonho
Tenho dúvidas
Recordo o sonho
Lavo o rosto
Olho-me no espelho
Nada de novo no que vejo
Tenho dúvidas
Tenho memórias do sonho
A tua boca não me sai dos olhos
Nem a tua voz dos meus ouvidos. (27/02/17)


Foi bom



Minha amada me comeu
O sono logo lhe visitou
Fiquei ao seu lado
Fiquei sem os seus fonemas
Fiquei a ouvir os seus roncos
Levei-os a uma linguagem
Que me revelou a sua voz
Dizendo-me que foi bom
Que foi bom. (17/02/17)



Poema do sol e da chuva



ao fazer chuva
guardei a chuva
ao fazer sol
guardei o sol
o vento achegou-se a mim
dei-lhe cabimento
ele assanhou os meus cabelos
e  me deixou palavras tuas
na minha boca. (09/02/17)