quarta-feira, 1 de julho de 2009

MEUS CARAS



Caetano, os caras que me consomem

Não possuem olhinhos infantis

Não sonham mais

Entregaram–se às vozes dos instintos

Alguns já são bandidos

E eu sou apenas um professor. (03/05/09)

MEMÒRIA

Qundo a indesejável das gentes

Vier me bucar

Que meu retrato fique pendurado

Na parede

É o tudo ou o pouco do resíduo

Que sempre fica

Para que a memória persista

Nas açõe(cruéis)do tempo.(21/06/09)

ESTAMPA


Vi a bunda de Fran

Estampada na capa da revista

Não fatigou minhas retinas

Sedentas das coisas belas

Fui-me entre os mortais

Com os olhos saciados. (20/06/09)


(IN)SUBMISSO

Aos doutores das letras do Ceará

Eis me aqui

Com mais uma morte cravada na alma

Sem poder erguer um protesto.

Eis me aqui indefeso

Submisso ao império dos vermes

E dos seus brasões

Definidores da razão

No universo das letras.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Para José Alcides Pinto

Poeta José Alcides,

conterrâneo da ribeira,

que rima incêndio com morte,

mulher com bunda e traseira

daqui vai o meu abraço,

ao escritor de primeira,

bom no verso,bom na prosa

na arquitetura altaneira;

que de Santana,do Estreito,

lança a palavra ligeira,

fecunda como a semente

que cai do Rio na beira;

das praias do Acaraú,

(do Reino, a outra fronteira),

uma corrente nos liga,

literatura é a esteira,

é a rede, o chão, o mormaço,

a cantoria, a certeira

pontaria do jagunço,

a paz da espreguiçadeira,

o cafuné, a novena,

a lamparina, a leseira

da sesta à tarde,o grasnar

da insidiosa,agoureira

coruja rasga-mortalha

que pousa na cumeeira;

poeta José Alcides,

descendente , como eu,

do padre Antônio Thomaz,

que morreu mas não morreu,

continue produzindo

a palavra saborosa,

tão necessária à existência

como é o feijão e a rosa,

porque, iguais a você,

nesta terra desditosa,

bem poucos foram ou serão

bons no verso,bons na prosa.

Dimas Carvalho

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Um apanhado de José

Poeta, nós estamos em  paz

não temos pressa, o tempo pode escorrer

entre os nossos dedos

que venha o sol, a chuva,o vento

que venha a mulher de preto

que venha a luz que jorra do sexo de Camila

que venha a noite

que venha a solidão

que venha os versos de Rimbaud

que venha o relicário pornô

continuaremos  em paz...(14/08/96,primeiro encontro com o poeta)

                                                                                                                                                                                                                                                         Inocêncio de melo Filho                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                               

terça-feira, 2 de junho de 2009

Dileto


Para José Alcides Pinto

O poeta chupa dropes

Enquanto aquieta os seus demônios

Na orla das vestes

Abandona o drops e fala ao vento

Palavras furiosas com cheiro de hortelã

O tempo se mostra com seu orifício cínico

O poeta transborda-o de mijo

E se vai com as feições de Lúcifer.

Inocêncio de Melo Filho

O poeta e o capibaribe

Alcides, velho poeta de guerra,

Hoje percorri as margens do velho Capibaribe,

Nesta cidade do Recife, por onde as águas afortunam

E idiomas aquáticos praticam namoros e saudades...

Vi o rio em suas águas turvas e pensei em ti,

Que um dia percorreu estes caminhos saborosos,

Avistou suas margens,

A torre das igrejas, as várias pontes, o vai e vem dos barcos suaves

E o trânsito das pessoas...

Pensei em ti, poeta, e minhas lágrimas afogaram-se no Capibaribe...

Pensei em ti e o rio foi o espelho do passado,

Onde convergiu a tua imagem ás páginas do livro que lia...

Alcides, sabemos que a poesia

Tem sido para nós o  pão de cada dia, a misturar-se com pedras lapidadas,

Suor e lágrimas,

Páginas viradas entre consolos e alegrias,

O pó do caminho, a viragem da janela mais alta...

Alcides lembrei-me de ti ao lado do Capibaribe,

Vendo as águas calmas, socorrendo para longe

A fluidez de minhas palavras,

O abandono de minha saudade...

Alcides, velho poeta de guerra,

O mesmo rio que te embalou a vida – o velho Acaraú de tua terra,

Sobeja no Capirabaribe, também o sinto, como um pedaço daquelas águas,

Uma passagem de tristeza e de saudade...

 Dênis Melo

Never more

Para José Alcides pinto

 Nunca mais festejarás minha chegada

Nunca mais nos diremos palavras belas

Nunca mais teceremos elogios mútuos

Nunca mais tomaremos chá entre livros

E palavras

Nunca mais caminharei ao seu lado

Nunca mais me lerás Rimbaud

Nunca mais deixarei de ser saudoso

E os meus olhos terão sempre lágrimas

Por companhia.

 Inocêncio de Melo Filho

 

Eternamente

 Para José Alcides Pinto

 Trago sua biografia

Dentro de mim

Não a publicarei

Guardá-la-ei no sacrário

Das minhas memórias

Para que a saudade de ti

Seja eterna

 Inocêncio de Melo Filho