quarta-feira, 1 de agosto de 2018
Nesta manhã
O sol sobre a cidade
Sobre a mulher transeunte
No olhar do poeta
No novo dia
O sol nos meus cabelos brancos
Colorindo-os nesta manhã. (24/07/18)
Vício
Fim de novela
Tudo fica bem
Céu para uns
Inferno para outros
Telespectadores satisfeitos
Entre lágrimas e risos
Saudosos da novela que se vai
Uma outra vem
E o vicio persiste
Todo dia
Diante da televisão.
Naquela calçada
Eras tu naquela calçada
Eras tu naquela tarde de segunda-feira
Do mês de julho
Eras tu e eu nem pude olhar-te com calma
Porque eu estava passando com o tempo
Havia muita pressa em mim
E o tempo veloz nada me permitia
Sei que me entendes
Acredito que nem me vistes naquela calçada
Enquanto eu ia e tu vinhas. (16/07/18)
Naquela tarde
A mulher sentada com as pernas abertas
Fingia não ver o sol fazer festa no seu golpe
Iluminando sua caverna
O poeta achou prudente não habitá-la
Naquela tarde. (25/07/18)
domingo, 1 de julho de 2018
Desejo vespertino
Estas tuas pernas
Esta tatuagem na tua panturrilha esquerda
No mesmo caminho do teu coração
Dão-me vontade de fazer rastros por onde andas
Dão-me vontade de encontrar-te e parar o tempo
Para que eu muito me demore contigo. (14/06/18)
Nos teus seios
Bebo o melhor dos vinhos
Nos cachos de uvas dos teus seios
Estas duas torres sempre expostas
Aos meus olhos sedentos
Que se saciam quando fechados
Porque minha boca os tem de posse. (25/06/18)
Em pensamentos
Não estou pensando em ti
Porque já é tarde
Entrego-me à outros afazeres neste momento vespertino
Ou penso em ti até quando não estou a pensar?
Não pensando penso
Vou-me sendo presença pelos caminhos
Existindo em mim
Em ti
Que nem me percebeu
No sinal vermelho
Recitando poemas aos transeuntes. (26/06/18)
sexta-feira, 1 de junho de 2018
Em tuas mãos
não esquecer quem está nas distâncias
tem sido minha sina
nada me diz o oráculo
a metafísica avoluma minhas indagações
nenhuma resposta conduzo nos meus alforges
vejo-me envelhecer contigo
na companhia da solidão
enfureço-me diante do espelho
rendo-me aos afagos das memórias
e adormeço com o teu retrato nas mãos. (15/05/18)
Encanto matinal
a princesa mostrou o pezinho
o plebeu beijou-o
deu-lhe uma flor da sua aldeia
era manhã de sol e a princesinha sorria
a guarda real não gostou do que viu
pois fim ao encanto
matinal
e a majestadizinha se pós a chorar. (23/05/18)
Neste sábado
o ar se vai com o vento
fica de cócoras no tempo
desafia a lei da gravidade enquanto descansa
enquanto o poeta respira versos inéditos nos papiros
dos seus ancestrais
neste sábado matinal tão breve quanto o orgasmo
na vida dos mortais. (26/05/18)
Da minha aldeia
a cebola cortada
as lágrimas escorrendo nos cortes
sob os olhos verdes
da cortadora mais linda
da minha aldeia. (28/05/18)
terça-feira, 1 de maio de 2018
Sem lhe faltar
Ele lia
Fernando Pessoa
Porque
não tinha nada para comer
Eu
almoçava em outra mesa com poucas quantias
E sabia
isso dele
Dei-lhe
uma maçã
Deixei-o
comendo poesia lusitana
Sem lhe
faltar a sobremesa.
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