segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Acontecimento








Vais embora sem dar-me um sinal
Nem um aceno quando estiveres distante
Cairei no teu esquecimento
Eu que fique a lembrar como cruzavas as pernas
Pondo em evidência a tua coxa com teu sinal
Feito tatuagem sobre tua pele
Na qual mirava meu olhar
Acumulando memórias tuas nas minhas retinas.(15/12/15)








Voltei a sonhar
















Voltei ao sonho meu amor
Mas tu és impossível
Voltei a voz de Chico Buarque
E a cidade cá embaixo se estica
Além do meu olhar
Canto e essa voz não é minha
Ouço Chico rindo com minha voz
E a canção?
Ainda sonho e tu estás nas tuas distâncias
O que cantei ficou no ar
Um passarinho canta o que cantei
O disco findou
Agora o silêncio caminha pelo meu sonho
Seus rastros alcançam meus ouvidos
Acordo com fonemas no canto da boca.(04/01/16)


Tuas mãos







Para Melissa Paiva


minha musa é branca
seus cabelos vão ruivando o dia
e a leveza das suas mãos
e os seus dedos longos e finos
ficaram na minha memória
ficaram nas linhas das minhas mãos
tão pesadas de tantos sofreres
tão desprovidas das delicadezas
que se foram com as suas mãos. (14/01/16)









Ao saudoso poeta José Alcides Pinto








Foste embora sozinho naquela manhã
Não levaste a pequena varredora
Nem a mulher de preto que me mostravas nos teus escritos
Teu paletó branco onde andará?
Não o vejo no cabide
Não o vejo entregue às vadiações do vento
Quando lhe indago se te verei novamente
Ele ri nos meus ouvidos e me responde:
-nunca mais. (21/01/16)


sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Tantas senhoritas







Encontro pela vida tantas senhoritas
Todas lindas de endoidecer
Penso até no que não presta mas é bom
Umas me querem como pai
Outras aceitam o poeta que há em mim
E outras tantas não querem nada
Nem a poesia que lhes destino. (16/12/15)


Paraíso do consumo








Ando pelo shopping consumindo e sendo consumido
Minhas sacolas de desejos pesam
Dói- me os ombros
As pernas estão exaustas
Sento-me
Descanso-me junto as sacolas
Mulheres belas ou não desfilam próximas a mim
Sondando nas suas almas e nas vitrines suas vontades
Propondo realizá-las
E o tempo passa entre minhas sacolas
Não o sinto passar pois estou a rir de duas mulheres
Que afagam o pomo- de- adão de um jovem
Não estou a rir das carícias pois as desejo também
Rio do rapaz exibindo sua saliente laringe
Às mão afetuosas das Evas do paraíso do consumo. (25/12/15)

Tuas palavras





São as tuas palavras na minha boca*
Nos meus versos
Na minha poesia
São os teus rastros no meu caminhar
Tua sina na minha
Tua voz nos meus ouvidos
E a palavra se transfigura entre nós
Fazendo-se nova
Buscando outros rumos
Que desconhecemos. (08/11/13)



Verso inicial de Pablo Neruda *

Desejo







Quero comer teu pé como uma intacta amêndoa*
Tenho-o nas mãos
Meus lábios dançam sobre ele
Minhas narinas se deslizam
Na pele deliciosa do teu pé
Que mantenho próximo à boca
Decidida dos seus desejos. (24/10/13)

*verso inicial de Pablo Neruda


Ósculo






Deixei um ósculo no seu rosto
Dizendo que eu voltaria
Ficaste a desenhar sentimentos
Em uma folha de papel
Que resistia às vadiações do vento. (28/09/13)





terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Vaticinando





vai
pelo
cano
vaticano
cânon
cães
negros
cardeais
em
seus
pontos
perseguem
papeiros
cheios
de
papas
até
alcançarem
a
papada
do
papa. (13/11/15)


Esperando a condução





era noite na capital do Ceará
trânsito intenso
luzes bem acesas
parecia dia
eu esperava o ônibus
e tu beijavas outra mulher
fiquei a olhar-te
não viste a mim nem os transeuntes
porque beijavas  para não dizer adeus
quando  voltei a mim  estavas ao meu lado
aguardando a condução. (17/11/15)


Em 4 atos







o
rei
lia
o
rei
Liar
a
rainha
dormia
com
um
brinquedinho
introduzido
nas
suas
vergonhas
a
princesa
ocultava
atrás
a
fala
o
falo
do
desconhecido
que
ela
encontrou
no
jardim
do
palácio
cai
o
dia
e
o
rei
dorme
com
o
rei
Liar
sobre
ele. (23/11/15)