terça-feira, 2 de setembro de 2014

Sua chegada



Ela chegou com seus olhos grandes
com sua pele negra
com seu sorriso largo
e se desnudou
eu estava sozinho
ela estava  nua
escurecendo-me com sua cor
nesta manhã farta de claridade
em ti
no tempo
em mim
tantas indagações. (01/09/14)


No ar


 


bola
no
campo
ebola
no
ar
bola
é
bola
ebola
no
caminho
é
pedra
faz
tropeçar
potencializa
o
vírus. (11/08/14)



Quando vejo Frida Kahlo


 


Para Mayara Pontes

Quando vejo Frida Kahlo
Penso em ti
Me calo
E no silencio edifico palavras
Que se esticam em versos
Seguindo o vento
Seguindo a memória do seu cheiro
Para te encontrar
Para que lembres que ainda existo
E ainda sou seu poeta. (29/04/13)



(Re)começo


 


Um mundo termina
Outro começa
Por isso querida
Não tenho pressa
Sei que sobreviverei
Sobreviverás também
E verás que tudo continua
No mundo que (re) começa. (11/12/12)


Ideologia




Sofrer
Gozar
Gozar
Sofrer
Em suma
Em sumo
Dor e prazer
Prazer e dor
Pra qualquer mortal
Filho da puta
Ou filho da santa
Neste viés
Não há exclusão (28/11/12)


sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Comigo




Vem com esses olhos verdes
Acompanhar os meus passos
Vem bailarina
Guardarei seus rastros nas minhas mãos
E na minha memória
Vem menina fazer caminhos
No meu corpo
Com idas e voltas
Deixando sempre em mim
A inscrição da tua alma. (21/02/14)


Padecer





Luzia- homem padece
Sob o sol impiedoso
Da minha urbe
Transeuntes
Olhares
Não ficam na pele de Luzia
Que se desbota
Que exibe rachaduras
Que não doem em ninguém
Transeuntes
Olhares
Seguem suas rotinas
Luzia- homem que fique na praça
Enfeitando o que não se enfeita
Reiterando sua eterna luta
Com Crapiúna. (17/07/14)

Clamores





O céu sem seu azul
Grita cessar fogo
Gazes que não ocultam ferimentos
Gritam cessar fogo
Ferimentos que se estampam
Num bordado triste
Gritam cessar fogo
Homens,mulheres e crianças
Gritam cessar fogo
Em Gaza
O vento acolhe esses clamores
Leva-os pelo ar
Aos ouvidos indiferentes. (30/07/14)

terça-feira, 1 de julho de 2014

Panos ardentes



Ela vestirá o vestido
Com anáguas que não ocultarão
As mágoas que ardem entre suas pernas
Que ardem nos panos
Que não secam a flor que não deste
A terra espera por ti, oh! Mulher!
Para transformar em pó o que és
E o que sentes. (12/06/14)

Circunstancial




Júlia
é
junho
nem
te
dás
conta
a copa
o copo
o corpo
o líquido
bolas
entre
as
pernas
o prazer
rolando
no
campo
e
ninguém
terá
piedade
da
pelada. (06/06/14)


Metáfora lunar




 










Lu
ana
lua
cheia
minha
bolacha
fogosa
que
eu
ainda
como
na
memória
que
me
restou.
da
infância. (08/05/14)

Filha de Eva II


 


Ali
aqui
acolá
Alice
alicia-me
não
me
revela
o
que
eu
desejo
mas
o
que
me
revela
eu gosto
por
demais. (30/05/14)