segunda-feira, 2 de abril de 2012

Uno

Prendi meu rabo ao seu

Nunca mais reclamaremos de solidão

Onde eu for

tu irás

Onde fores tu

Irei eu

Seremos uno

Na diversidade do nosso amor.

Visão

Para Irene Neres

Tu passas por mim

E não me vês

Fico a olhar seu cabelos soltos

Que se alongam nas suas costas

Fazendo-me visualizar

A menina que foste

Na mulher que és.

Pleonástico


Vou me guardar em mim

Pois já sei o que é sofrer

Serei minha própria companhia

Até o tempo se esgotar fora de mim.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Cumplicidade

O sol se desliza nas calcinhas

Penduradas no varal

Secando no tecido as memórias

Que imploram por silêncio. (11/02/12)

Teu andar


Quando tu te vais

Fico a olhar o teu andar

Suas nádegas dançam

É uma coisa linda de se ver

Meu olhar atento segue-lhe

Até sumires no caminho. (12/02/11)

Dilemas


Aos mortos não interessa

O tempo que passa

O vento que inquieta as folhas das árvores

A memória que busca novas lembranças

As mudanças que se fazem entre os homens

As lágrimas que ficaram

O que não foi realizado

A mulher de preto

O retrato que ficou na parede

O último beijo

O que ficou por se dizer

A solidão vivida

O grito que se calou na garganta...

Esses dilemas da vida só pertencem a nós

Os degredados filhos de Eva

Aos mortos só interessa

O silêncio e a indiferença.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Vício


Quando terminarei de morrer?

Não me responda

Não pretendo saber

Apenas indago

Enquanto o tempo passa

Pois me viciei nisso. (08/04/11)