Prendi meu rabo ao seu
Nunca mais reclamaremos de solidão
Onde eu for
tu irás
Onde fores tu
Irei eu
Seremos uno
Na diversidade do nosso amor.
Prendi meu rabo ao seu
Nunca mais reclamaremos de solidão
Onde eu for
tu irás
Onde fores tu
Irei eu
Seremos uno
Na diversidade do nosso amor.

Para Irene Neres
Tu passas por mim
E não me vês
Fico a olhar seu cabelos soltos
Que se alongam nas suas costas
Fazendo-me visualizar
A menina que foste
Na mulher que és.
Vou me guardar em mim
Pois já sei o que é sofrer
Serei minha própria companhia
Até o tempo se esgotar fora de mim.

O sol se desliza nas calcinhas
Penduradas no varal
Secando no tecido as memórias
Que imploram por silêncio. (11/02/12)
Fico a olhar o teu andar
Suas nádegas dançam
É uma coisa linda de se ver
Meu olhar atento segue-lhe
Até sumires no caminho. (12/02/11)
Aos mortos não interessa
O tempo que passa
O vento que inquieta as folhas das árvores
A memória que busca novas lembranças
As mudanças que se fazem entre os homens
As lágrimas que ficaram
O que não foi realizado
A mulher de preto
O retrato que ficou na parede
O último beijo
O que ficou por se dizer
A solidão vivida
O grito que se calou na garganta...
Esses dilemas da vida só pertencem a nós
Os degredados filhos de Eva
Aos mortos só interessa
O silêncio e a indiferença.
Quando terminarei de morrer?
Não me responda
Não pretendo saber
Apenas indago
Enquanto o tempo passa
Pois me viciei nisso. (08/04/11)