segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Quando rezo o terço


adormeço com Ave Marias nos lábios
acordo rememorando mistérios rezados
o terço no chão trago-o ás mãos chamo a trindade santa
e vou deitar-me sabendo que rezei
mas o terço ficou incompleto.

Sob o sol


tudo vira lama
nas valas 
nas sarjetas
nos jazigos
tudo vira lama
a céu aberto
sob o sol
ou nas trevas
tudo vira lama
e o tempo passa
carregando o esquecimento nas costas
o lamento que se ouve vem dos retratos nas paredes
bordando memórias no ar.  

terça-feira, 6 de outubro de 2020

Na minha rua


o morto não chega
as pessoas se avolumam na rua
o tempo passa
o morto não chega
em vida alguém o esperava?
ouço esta indagação
o vento afasta outras tantas de mim
o tempo passa
e o morto não chega
o poste exibe sua luz no beco contrito
o povo sob a luz
o tempo sob a luz
e morto não chega. (28/09/20)

Chamado juvenil





volta ao pampa, pai
o poeta insiste no chamado
o chimarrão pesa-lhe nas mãos
as sandálias não saem do lugar
o poeta sai de si
entra em outro corpo
noutra voz
chama o pai
mas seu pai não vem. (17/09/20)


O verso inicial é de Carpinejar



Das linhas de carpinejar


estavas fora de ti
quando rocei o teu rosto
se tu pensavas em alguém
e não em mim
não me diga nada
deixe-me ir decifrando enigmas
reais/irreais
deixe-me ir sofrendo
com todas as dúvidas
dessa vida finita. (14/09/20)


os versos iniciais são de Carpinejar

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Em tempo presente

 



esqueci-me de ti

dizem-me que tens olhos verdes

bem grandes

dizem-em que és linda de morrer

não lhe busco na memória

lembrar de ti não faço questão

se não estás no meu lembrar

é porque não deves estar no meu viver. (31/08/20)

Sob o olhar




vale a pena voltar para casa com um poema

vale a pena andar pela cidade e colher a poesia do vento

vale a pena respirar fundo diante de ti

dos teus olhos

do teu encanto

vale a pena fechar o livro porque leu-se até o fim

vale a pena semear versos aqui

acolá

embora tu não os leia

vale a pena a vida finita que se vive

sob o olhar do infinito. (31/08/20)



No meu calvário

 



no vale de lágrimas chorei

diante do desterro pesou sobre mim o degredo

busquei minha mãe Santíssima

que não me ocultou Jesus

não o vi mas me senti sob o seu olhar

e dos meus olhos lágrimas rolaram pelo caminho

que anunciava o meu calvário. (25/08/20)



sábado, 1 de agosto de 2020

Enquanto passas


As tuas pernas ainda são as mesmas
O tempo passou
E eu ainda me encanto com elas
Digo isso a mim enquanto tu passas
E me olhas e eu não sei se tu me vês.



És tu


encanto-me com teu retrato
salvo-o no meu drive
volto a vê-lo
minhas impressões se reiteram
tu estás bem mais linda nesta imagem
chego a pensar que tu és outra pessoa
apenas penso
mas não duvido
és tu
és tu.

Minha sina


olho a cruz de Cristo ergo a minha e me vou
minha dolorosa paixão se impõe a mim
meu calvário é minha sina
tá nas bocas dos profetas
ouço - o desde menino
nos cordéis esticados no mercado.


Dito e feito


meu filho fez o sabiá se entristecer
fez o céu ficar bonito pra chover
e choveu
foi tanta água que até afogou a infeliz
que um dia fez pouco caso do seu amor.