A bunda
Abunda
No olhar faminto
Do transeunte
A bunda
Desbunda
Diz enigmas
Ao olhar faminto
Do transeunte
A bunda
Segue seu rumo
O olhar faminto do transeunte
Fica na esquina
Sem decifrar os enigmas
Ditos
Bem ditos. (21/12/14)
Sigo sua solidão pelas ruas
Vejo seus ombros
Já não suportam o mundo
Vejo o tempo fazendo-se peso
Nas suas costas
Vejo seu cansaço buscando repouso
Qualquer lugar lhe repousa o corpo
Sua alma onde repousará?
No colo da poesia?
Nas nádegas das ninfas?
Ou nas memórias que lhe acompanham?
Só sei que o poeta está só
Seguindo sua sina
Entre os mortais
E as indagações se tecem em tecidos
Que o vento leva em silêncio. (30/12/14)
Há uma canção entre nós
nos apossamos dela
nos aquietamos com nossa canção
pondo no mesmo nível as nossas dores
há uma canção entre nós
se pluraliza nos nossos ouvidos
nas nossas vozes
nas nossas memórias
para que não esqueçamos
a canção que nos une
tornando-nos iguais na dor e na alegria. (21/11/14)
Tens na face um sinal de beleza
Originado do beijo que não te dei
Dormias e o anjo que não sou eu
Beijou-te
Nem sabes
Eu sei
Por eu saber
Fiz a lenda
Que o vento espalhou pelas estradas
Dos nossos ancestrais. (07/10/13)