quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Transeunte























A bunda
Abunda
No olhar faminto
Do transeunte
A bunda
Desbunda
Diz enigmas
Ao olhar faminto
Do transeunte
A bunda
Segue seu rumo
O olhar faminto do transeunte
Fica na esquina
Sem decifrar os enigmas
Ditos
Bem ditos. (21/12/14)

O poeta está só























Para Mário Gomes

O poeta está só
Não duvido
Sigo sua solidão pelas ruas
Vejo seus ombros
Já não suportam o mundo
Vejo o tempo fazendo-se peso
Nas suas costas
Vejo seu cansaço buscando repouso
Qualquer lugar lhe repousa o corpo
Sua alma onde repousará?
No colo da poesia?
Nas nádegas das ninfas?
Ou nas memórias que lhe acompanham?
Só sei que o poeta está só
Seguindo sua sina
Entre os mortais
E as indagações se tecem em tecidos
Que o vento leva em silêncio. (30/12/14)

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Por uma canção
















Há uma canção entre nós
nos apossamos dela
nos aquietamos com nossa canção
pondo no mesmo nível as nossas dores
há uma canção entre nós
se pluraliza nos nossos ouvidos
nas nossas vozes
nas nossas memórias
para que não esqueçamos
a canção que nos une
tornando-nos iguais na dor e na alegria. (21/11/14)

Entre as tuas pernas






Entre as tuas pernas
a fala
o falo
Entre as tuas pernas
o sexo
a revelação
da fala
no falo
Entre as tuas pernas
o início
o fim
da labuta... (04/11/14)


segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Imortal




Fui criança
Fui passarinho
Eles passarão
Eu ficarei poeta
Entre os mortais (12/10/13)




Lenda






Tens na face um sinal de beleza
Originado do beijo que não te dei
Dormias e o anjo que não sou eu
Beijou-te
Nem sabes
Eu sei
Por eu saber
Fiz a lenda
Que o vento espalhou pelas estradas
Dos nossos ancestrais. (07/10/13)

Ósculo





Deixei um ósculo no seu rosto
Dizendo que eu voltaria
Ficaste a desenhar sentimentos
Em uma folha de papel
Que resistia às vadiações do vento. (28/09/13)



sábado, 1 de novembro de 2014

Estás em mim





















Há um Tom Jobim em mim
Quando uso meu chapéu
Quando fico saudoso das águas
Fartas águas de março
Há um Tom Jobim em mim
Quando sou por de mais brasileiro
Entre versos e canções
Há um Tom Jobim em mim
Quando sigo a música do andar
Das mulheres que passam no calçadão
Nas manhãs de todos os sábados
Há um Tom Jobim em mim
Porque eu acredito
Porque são memórias
Dos olhos que se miram em mim. (30/08/14)

Sabático



Olha a coca indo
Olha a coca vindo
São tantos movimentos
Nas mãos displicentes
O barulho se estica no ar
Olha menina a coca-cola
Escorrendo no beco
Livre do vasilhame
Que lhe aprisionava. (13/09/14)


Posições





Vertical
horizontal
reto
erecto
em
sua
linha
em
sua
posição
penetra
alcança
os
limites
da
caverna. (23/09/14)



Metáfora







A
vela
erecta
fala
falo
ardente
chama
a
chama
para
si
no
ninho
entre
pedras
metáfora
escrotal. (20/10/14)

Sua boca







É
lisa
a
boca
de
beth
ah
que
bocão!
beth
nem
alisa
a
boca
que
engole
meu
olhar
por
lhe
fazer
sorrir... (15/10/14)