domingo, 2 de agosto de 2009

A Morte da Puta

Morreu uma puta

alegrou muitos homens

e fez chorar muitas mulheres.

Morreu uma puta

agora jaz entre quatro velas fartas

Sete palmos de terra aguardam

Seus restos mortais.

Onde estão os homens que gemiam

ou faziam a puta gemer?

Disfarçando suas dores ao lado

das esposas contentes.

Apenas eu que não comi a puta

Estou a velá-la.

Contemplo o céu azul e suplico que chova

para que todos pensem que a puta é santa

para que as portas da igreja se abram

e acolha seu corpo antes da partida

para a morada eterna. (27/07/09)

Brevidade

Sei que não estás aqui

és ausência

na existência transitória dos mortais.

És saudade

sentida na brevidade do tempo

deste dia.

Informe

Mega-sena acumulada

diz o informe.

os transeuntes vão e vem lendo-o.

A fila se faz.

Alonga-se.

O sol cobre-a.

O suor escorre nas faces dos mortais

que acumulam desejos,sonhos,vontades,

promessas,nos seus corações.

Busca intensa

Para Aline Nogueira

Onde estás?

Por onde te escondes?

Não a encontro nestes tempos internétcos

E orkutianos.

Que tecnologia devo usar para vê-la de novo?

Indago intensamente

Inquieto-me entre os mortais

Que nada me dizem. (25/10/07)

Excesso

Cansei-me de querer vê-la

Encontrei-a

Nada senti

Pois estava exausto

Do excesso dos desejos.(17/12/06)

Atos

Deitei seu corpo nu

Na calçada suja de batom

Cobri-lhe com meu corpo

Todos os atos se consumaram

Ficamos exaustos

O sono veio

Nós o acolhemos debaixo da lua.(23/12/06)

sábado, 4 de julho de 2009

LEITURA


Eu me leio

Às vezes de manhã

Às vezes à tarde

às vezes antes de dormir...

O FILHO PRÓDIGO

(Publicado na revista mundo jovem em 1992)

O poema que eu não fiz

Que ninguém o faça

Que ele se refaça

Nos seios esqueléticos

Das mudanas que eu não conheci...

Que ele sangre das pedras

E se transforme em pães

Para alimentar os filhos

Os filhos que eu não fiz

Que ele grite nas capoeiras

Que ele dance ciranda

Que ele pule nas praças

Que ele fecunde os ventres

Todos os ventres sedentos

E faça com que nas madrugadas

Surjam choros inéditos

Novas crianças

O poema que eu não fiz

Que ninguém o faça

Que ele se refaça

No seu silêncio...

NOCTÍVAGO

Quero chorar com os cães -

Cães solitários....

Nas ruas desertas caminharei,

Aliarei-me aos vigias,

Para que a noite não caia nas mãos dos vândalos...

Seguirei o cio da brisa,

Que agitará o meu sexo,

E conduzirar-me à mulher...

Que saltará dos olhos da lua...

CANÇÃO DA SOLIDARIEDADE

A Mazé Marinho

Amiga,

Vamos correr nos campos

Vamos contemplar os lírios

Vamos nos ocultar com o sol atrás das montanhas

Vamos ao encontro do pão que jaz no forno,

Podemos reparti-lo com os famintos.

Vamos partilhar nossas alegrias com os descontentes

De toda a terra.

Vamos dividir nosso leito, nosso amor

Com todas as gentes.

Vamos semear trigo na terra dos nossos ancestrais.

Vamos ler poesia quando a noite chegar.

Vamos perseguir a lua até alcançá-la.

Vamos dançar ciranda entre o céu e a terra.

Vamos caminhar nas estradas

De nossa infância.

Vamos nos tornar crianças,

Para que nos deleitemos no reino

Que nos foi prometido...

ALGOZ

O poeta envelhece

entre os homens.

A morte não lhe é uma

ideia absurda

É uma certeza que se impõe

Todos os dias,

Tornando-se uma algoz indesejável.

VIGILÂNCIA

Cruzes fincadas no solo

Vigiam jovens, velhos, anjos e demônios

Que repousam eternamente?

A tarde finda

O sol escorre

Adentra-se nos poros

Da terra fétida...