segunda-feira, 7 de junho de 2010

Da inutilidade do tempo


A

José Telles

Estou só no mundo

e não me chamo Raimundo

como Drummond dizia

digo eu: um dia é outro

e o mesmo dia.

E esses dias somados

a troco de vintém:

não servem para mim

nem para ti ninguém.

Não servem para nada

nem pra dar nem vender:

são dias emprestados

a troco de viver.

Mais um dia que passa

sem parar se deter:

nessa doída corrida

sem saber pra quê.

E onde isso vai dá?

O saber que importa:

esteja aberta ou fechada

a porta é a mesma porta

por onde se entra e não sai

tal qual uma sepultura:

como se jogassem fora

a chave e a fechadura.

José Alcides Pinto-O algodão dos teus seios morenos(p.27)

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