terça-feira, 1 de março de 2011

transfiguração



A bolsa de Joelma

Aquietou-se no centro da mesa

E se transformou numa galinha

Para que as mãos curiosas

Não lhe sonde as entranhas.

Sempre contigo


Deixei na memória da sua nuca

Meu último beijo

Deixei na memória da sua nuca

Meu último poema

Deixei na memória da sua nuca

Meu desejo de continuar contigo

Deixei na memória da sua nuca

Meu desencanto

Deixei na memória da sua nuca

Meu silêncio que grita

Deixei na memória da sua nuca

Meus lábios e suas angústias

Deixei na memória da sua nuca

Minha mordida mais dileta

Deixei na memória da sua nuca

Minhas fantasias mais significativas

Deixei na memória da sua nuca

Todos os meus Eus

Para que fiques sempre comigo

Embora não me desejes... (06/01/2011)

Metades


A bolsa e a mulher

A mulher e a bolsa

Seguem os mesmos caminhos

Ocultam os mesmos enigmas

A bolsa e a mulher

A mulher e a bolsa

Faces e facetas

Metades que se completam

No universo do ser

E das coisas.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Posse



Para Rebeca Viana

Comerei sua tatuagem

Para que ela me enfeite por dentro

Comerei sua tatuagem

Para que ela se acomode no meu ser

Comerei sua tatuagem para que ela

Sacie minha fome

Comerei sua tatuagem

Sem poupar nenhuma linha do desenho

Para que a imagem não fique imperfeita

Comerei sua tatuagem

Para que ela se oculte ainda mais

E só tu possas vê-la

Deslizando-se pelo meu corpo. (10/10/10)

Mudanças

Para Ana Paula

O vento refaz seu corpo

por baixo do vestido.

Vejo seu vestido se ajustando

ás vontades eólicas.

Fico a ver essas coisas

e tu te vais alheia às mudanças

que domam seu ser.

Acolhida




Abri minha janela

O vento que me acolheu

Trazia consigo uma voz de mulher

Não consegui reconhecê-la

Mesmo assim permiti-lhe perdurar

Nos meus ouvidos... (12/01/2011)

sábado, 1 de janeiro de 2011

Clown



Ri! Coração, tristíssimo palhaço-Cruz e Sousa

Ri! Coração, tristíssimo palhaço

Pois tua tristeza incomoda

O que eles querem é riso

Novidades no espetáculo

Ri! Coração,tristíssimo palhaço

Porque tu sabes

Que se não semeares a alegria

Eles se afogarão

No tédio extremo.

Dialética


Os fins

Os meios

A justificativa

Eu & você

Sem meios

Nem justificativas

Nosso silêncio

Nossos gritos

Escorrem pelos nossos sexos

Justificando fins

Que se explicam

Na alcova.

Oferenda



Trago-lhe meus cabelos brancos

Para dizer-lhe que sofri demais

Pouco aprendi

Com isso me sustento

Fortaleço os que me buscam

E alimento os famintos

Que tens me confiado.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Cíclico



Refaço-me
O vento volta
Desfaz-me
O que se foi
Volta e inquieta-me
Do mesmo jeito
Como se nada tivesse mudado
O que mudou mudou-me?
Não tenho certeza
O vento deixou-me novamente
E ficou comigo a convicção
De que tudo é cíclico.

Visitas



Todos os ventos me visitam
Deslizam-se nas linhas das minhas mãos
Decifram dizeres dos meus ancestrais
Procuro compreendê-los na ventania
Que se vai para onde desconheço
Deixando quietas as páginas dos meus livros.

Oh! portugal




Luciano Correia da Silva, 28 anos, natural de Rondônia, foi assassinado na cidade de Caldas da Rainha, supostamente, por ter urinado na rua.

A vida finda
Mas a urina ainda escorre
Pelas ruas portuguesas
E seu odor chegará às narinas lusas
Clamando por justiça.
O mijo brasileiro corre
Escorre para o vosso mar
Para avolumar as dores
Que tu bem conheces
Oh! Portugal...