quarta-feira, 1 de março de 2023

Nos espaços



da tua escrita ouvi a tua voz
guardei-a nos ouvidos
gritá-la-ei aos ventos?
os ventos já sabem e ouviram a tua fúria
o que direi aos ventos?
Tua escrita e tua voz ordenam-me a dizer:
“o mundo tá cagando para os poetas”
esses seres invisíveis entre os mortais
pesando no ar e ocupando os espaços do planeta.

Rememorando Mário Gomes


 sonhei que eu pedalava numa longa estrada

uma carrada de bucetas passou por mim

sem um cu por baixo

isso tem nexo?

indaguei ao vento que afagou o meu rosto

o vento me disse poeta é um sonho

é como na ficção tudo pode. 

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2023

Ao acaso



se ao dobrar a esquina esbarrares em mim com os dentes afiados

se eu morder o teu coração sob o teu peito

se eu passar indiferente na tua presença

se a profecia não se cumprir

se as correntes não prenderem todos os loucos

se faltar chapéu nas cabeças sob o sol

se o grito perder a boiada

se o menino não abrir a porteira

se nada passar por ela nem o vento deste dia

eu apenas mijei tinta sobre o poema

que eu não consegui parir. 

Episódio de um maldito



andando pela cidade o poeta profetiza

ao se deparar com uma mulher

quando se dar conta seus dedos encontram sua calcinha

puxando-a sentencia com convicção:

-serás puta!!

-serás puta!! (02\02\23)

Minha certeza



Deus, o que me assusta é o teu silêncio ou é a tua fala que eu não ouço?
Indago sob a cruz
Arde- me os olhos ante a luz
Descanso- os na escuridão
Vejo como se houvesse clareza
O caminho é longo na brevidade do tempo
Que finda a vida
Deus, do teu silêncio sou conhecedor
A tua fala me assustaria?
Não tenho respostas sob o céu
Sobre a terra
O que eu tenho é o teu silêncio
E a certeza de que tudo morre.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

A uma transeunte

 tua bunda é uma fortuna

vejo-a sob o jeans nesta manhã

tua voz é uma delícia desejando-me bom dia

tua bunda desejo-a desnuda 

vê-la nua é melhor que queijo. 

Mais finito



Na casa do morto
Quem lhe deita o olhar expressa sua dor
Todos ficam de luto na casa do morto
Temos a senha nas mãos a qualquer hora seremos chamados
Pela indesejada das gentes
Na casa do morto a tristeza se avoluma
E tudo fica mais finito.

Tal qual Fênix



Ficou sob as fezes
Deus
Pátria
Família
Ficou sob as fezes
A democracia
A sanidade mental
Um crucifixo quebrado
Tapetes maculados
Ficou sob as fezes
Di Cavalcante
Tudo que prezamos
Tempos difíceis.
Ficou sob as fezes
30% de estupidez
30% de alienação
30% de perversidade
Ficou sob as fezes
O fascismo
A extrema direita
A voz do meu país gigante se ergue
Se refaz tal qual Fênix .

segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

Comida II


copo lá
copular
corpos nus
copulação
nação
corpo lá
copular
pular a cerca
alcançar o nexo
do sexo. 

Para este dia


Encontrei teus pés calçados em havaianas brancas

Encontrei-os porque eu buscava a poesia nesta manhã

Meus olhos se encantaram com os teus pés

Esbarraram-se neles porque tu estavas sentada movimentando-os

Não me exibiste os pés eu os vi e escutei os dizeres cantantes

Que saltaram dos teus calcanhares querendo dançar

No varal que eu estiquei para o poema deste dia. (05\12\22)

Joia

 Teu umbigo é uma joia

Vejo-o tão exposto

Nem pensas em ocultá-lo

Sinto vontade de escondê-lo sob a palma da mão

Tu desdenhas dos meus cuidados

E te vais sorrindo. (16\12\22)

 

Um barulho pro silêncio

 Viviane onde está?


Tu não existias para mim

Anunciaram-me teu desaparecimento

Agora tu és existência em mim

Não esqueço de ti

Tento encontrá-la nas notícias

E quando dizem que tu vives

Não sei se vives ou se morres entre os mortais. (19\12\22)