terça-feira, 6 de outubro de 2020
Chamado juvenil
volta ao pampa, pai
o poeta insiste no chamado
o chimarrão pesa-lhe nas mãos
as sandálias não saem do lugar
o poeta sai de si
entra em outro corpo
noutra voz
chama o pai
mas seu pai não vem. (17/09/20)
O verso inicial é de Carpinejar
Das linhas de carpinejar
estavas fora de ti
quando rocei o teu rosto
se tu pensavas em alguém
e não em mim
não me diga nada
deixe-me ir decifrando enigmas
reais/irreais
deixe-me ir sofrendo
com todas as dúvidas
dessa vida finita. (14/09/20)
os versos iniciais são de Carpinejar
quinta-feira, 3 de setembro de 2020
Em tempo presente
esqueci-me de ti
dizem-me que tens olhos verdes
bem grandes
dizem-em que és linda de morrer
não lhe busco na memória
lembrar de ti não faço questão
se não estás no meu lembrar
é porque não deves estar no meu viver. (31/08/20)
Sob o olhar
vale a pena voltar para casa com um poema
vale a pena andar pela cidade e colher a poesia do vento
vale a pena respirar fundo diante de ti
dos teus olhos
do teu encanto
vale a pena fechar o livro porque leu-se até o fim
vale a pena semear versos aqui
acolá
embora tu não os leia
vale a pena a vida finita que se vive
sob o olhar do infinito. (31/08/20)
No meu calvário
no vale de lágrimas chorei
diante do desterro pesou sobre mim o degredo
busquei minha mãe Santíssima
que não me ocultou Jesus
não o vi mas me senti sob o seu olhar
e dos meus olhos lágrimas rolaram pelo caminho
que anunciava o meu calvário. (25/08/20)
sábado, 1 de agosto de 2020
Enquanto passas
As tuas pernas ainda são as mesmas
O tempo passou
E eu ainda me encanto com elas
Digo isso a mim enquanto tu passas
E me olhas e eu não sei se tu me vês.
És tu
encanto-me com teu retrato
salvo-o no meu drive
volto a vê-lo
minhas impressões se reiteram
tu estás bem mais linda nesta imagem
chego a pensar que tu és outra pessoa
apenas penso
mas não duvido
és tu
és tu.
Minha sina
olho a cruz de Cristo ergo a minha e me vou
minha dolorosa paixão se impõe a mim
meu calvário é minha sina
tá nas bocas dos profetas
ouço - o desde menino
nos cordéis esticados no mercado.
Dito e feito
meu filho fez o sabiá se entristecer
fez o céu ficar bonito pra chover
e choveu
foi tanta água que até afogou a infeliz
que um dia fez pouco caso do seu amor.
segunda-feira, 6 de julho de 2020
A palavra
a palavra pesa
enverga o aço
entorta a nuvem
inclina a sina dos malditos
a palavra pesa
na boca
no papel
no silêncio
trancada no cofre.
a palavra pesa
na feição do universo
nas mãos de Deus
nos ombros dos oprimidos
a palavra pesa
no contexto
nas mãos postas
no homem de joelhos
no teu adeus
na minha solidão.
enverga o aço
entorta a nuvem
inclina a sina dos malditos
a palavra pesa
na boca
no papel
no silêncio
trancada no cofre.
a palavra pesa
na feição do universo
nas mãos de Deus
nos ombros dos oprimidos
a palavra pesa
no contexto
nas mãos postas
no homem de joelhos
no teu adeus
na minha solidão.
Dizeres perdidos do vate
andei por sete províncias e tu dormias
voltei olhei-te e tu dormias
danei-me pelo mundo vi meu rosto no brilho das lâminas
guardei-as não matei ninguém
vi distâncias alcancei as que eu desejei
o que tava longe ficou perto
desafiei o diabo ah nesse aí eu fiz uns furos
voltei exausto bebi água dormida na quartinha
tu dormias deitei-me ao teu lado
volumoso de aventuras sem ter para quem contar.
Enquanto lavo a louça
enquanto lavo a louça
penso nos meus pecados
confessados e omitidos
enquanto lavo a louça
sinto-me exausto
até me espanta o volume de pratos,panelas e copos
enquanto lavo a louça
penso que sujamos e limpamos o tempo todo
imagino que meus pecados são assim
sujo-me e limpo-me diante do sacerdote
enquanto lavo a louça
o tempo passa e a metafísica se avoluma em indagações.
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