quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

No lembrar

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Há partes em outras partes
Que desconheço
Há partes em mim e em ti (in)traduzíveis
Há partes tuas em todo mundo
Fazendo silêncio
Fazendo alarde
Continuando a vida
Com dor e saudade
Na solidão bem mais doída
Irmanando-se para ser permanente
Nas partes de todas as partes
Da cidade
Das andanças
Tuas e nossas pelo poema sujo
Tragável/intragável
Sem cálice
Sendo líquido
Sendo leve no lembrar
Da menina branca como a neve. (06/12/16)

Entre nuvens

Nuvem sem rumo?
Vejo-a andando fazendo um caminho
Pluralizando-se numa unidade
Nuvem sem rumo?
Não canto,nem falo isso
Prefiro recordar a nuvem branca deste dia
Fazendo meu olhar segui-la  pelo seu caminho
Que se finda entre nuvens. (21/12/16)

Andanças de ano novo



Ando pelas ruas desertas da minha cidade
Nesta tarde de ano novo
Buscando o que sei
Sem saber onde encontrar
O vento segue os meus passos
Aproximando de mim o lixo e o cheiro fétido
Das supostas ruas burguesas
O hálito das mulheres me chega às narinas
Fazendo-me lembrar que tudo fede
Em qualquer ponto de vista
De qualquer classe social. (01/01/17)


Enquanto finda o ano

Finda o ano
Coleciono tragédias
Mas ainda estou aqui
Sinto-me vivo
Humano?
O que sei é que sou grato
E ainda há muito por fazer
Por mim e por ti
Finda o ano
Ouço fogos
Gritos lá fora
Estou aqui
Sinto uma festa em mim
Enquanto finda o ano. (31/12/16)


Imagem

























o olhar
a porta
o olhar na fotografia
revela uma cruz
a porta em cruz
ou a cruz na porta
diante do olhar
tecendo uma imagem
que cala para falar. (11/01/17)




domingo, 1 de janeiro de 2017

Até findar

Já fui barco,fui navio
Vivo dessas memórias
Quem as quer ouvir?
Falo-as ao vento
Não sei onde elas vão parar
Minha fala há de se reiterar
Até findar minha inutilidade. (24/11/16)

O primeiro verso é de Ariano Suassuna



Minha desgraça

minha desgraça não é ser poeta
é não ter uma moto para conduzi-la pela cidade
minha desgraça não é ser poeta
é ter um poema para ti quando desejas um diamante
minha desgraça não é ser poeta
é ser tantos que nem sempre se compartilham
minha desgraça não é ser poeta
é estar próximo  do que escrevo e distante do que desejo
minha desgraça não é ser poeta
é me deitar sempre só no meu leito de palavras
minha desgraça não é ser poeta
é não encontrar ouvidos que me ouçam
minha desgraça não é ser poeta
é suar sobre palavras e não ser digno do pão
de cada dia
minha desgraça não é ser poeta
é não conseguir o que eu mereço
com os versos que eu deito no teu corpo
minha desgraça não é ser poeta
é a certeza de me encontrar com a indesejável das gentes
e não  ter um poema  para me defender.(13/12/16)

O verso que se repete é de Àlvares de Azevedo



Sem mim

olhei nos teus olhos ao me aproximar de ti
teus cílios longos negros
fizeram me ver um caminho
no qual vais sem mim
sem meu fardo de palavras
na leveza da tua juventude.(20/12/16)





Enquanto finda o ano

Finda o ano
Coleciono tragédias
Mas ainda estou aqui
Sinto-me vivo
Humano?
O que sei é que sou grato
E ainda há muito por fazer
Por mim e por ti
Finda o ano
Ouço fogos
Gritos lá fora
Estou aqui
Sinto uma festa em mim
Enquanto finda o ano. (31/12/16)

Pelo teu ser



















Vendo as tuas costas nuas
Penso em poesia
Indago onde finda o caminho
Que me exibes na tua coluna vertebral
Penso na poesia do percurso
Ida e chegada
Imagino não saber de nada
Para avolumar em mim
O que conheço/desconheço
Das minhas andanças pelo teu ser. (25/12/16)

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Se fosse

Se tudo fosse permitido
eu beijaria a tua boca
Se tudo fosse permitido
eu andaria  nu pelas ruas
lendo meu poeta dileto
Se tudo fosse permitido
eu jogaria no ar meu excesso de realidades
Se tudo fosse permitido
eu caminharia sob a tua sombra
Se tudo fosse permitido
eu teria a tua nudez real no meu corpo
Se tudo fosse permitido
eu não teria amarras
Se tudo fosse permitido
eu sepultaria a razão com suas lógicas
Se tudo fosse permitido
eu seria a minha própria lei
no vigor da permissividade. (30/08/16)


Armadilha

de amanhã não passa ela me disse
veio o novo dia
veio o tempo
e sua promessa não se confirmou
ficou no ar a tua voz
que não me deixa esquecer o teu sorriso
e a armadilha que tu és. (13/09/16)