sábado, 1 de julho de 2017

Em resposta



Tu dizes por aí que eu sou apaixonado por ti
Tu falas tanto  que eu fiquei sabendo
Venha a mim oh musa amada
Fale-me dos meus sentimentos se eles te honram
Se eles te incomodam fale-me
Deixar em cada esquina
Em cada ouvido o que já sabes de mim
Te faz bem?
Se és feliz assim prossiga querida
Continuarei encantado por ti
Sinto-me bem assim
Quando alguém me acolher em seu amor
Virarei a página onde tu te encontras. (10/03/17)


Tarde de domingo


Estou só
Um casal deita os olhos em mim
Olho-os
Sentem pena de mim?
Indago –me
Ele segura o queixo com a mão direita
Seus dedos longos se deslizam nos seus lábios
Como se andassem
Ou edificassem um caminho ao redor da boca
Esgoto meu capuccino
Ela olha para baixo
Parece pensativa
Ambos são lindos
Minha solidão é que não é nada bela
Nesta tarde de domingo. (02/04/17)


De passagem



Um pedaço de lua surge no céu
Alcança minha janela
Ilumina as trevas do meu quarto
penso em um poema
perco o sono
Nuvens cinzentas se aproximam do meu olhar
Meu quarto volta às trevas
Olho o relógio o tempo passou e passa
Sinto-o em mim
Vejo-o afirmando
Que não sou mais o mesmo. (19/05/17)









Poema torto



quando nasci, um anjo torto
olhou-me torto
se disse algo não entendi
torto eu estava
torto continuei
essa lordose
doi-me tanto
o anjo disso já sabia e nem me  disse
foi -se torto
e este acontecimento não me sai da memória. (30/06/17)


O primeiro verso é de Carlos Drummond de Andrade

sábado, 3 de junho de 2017

Poema direto IV

Quero a mala com seus enigmas
Quero a mala com suas cédulas tantas
Quero amá-la
Com mala ou sem mala
Quero amá-la indo e vindo
Na minha aldeia
Nos meus caminhos
No meu poema
No meu corpo
Quero amá-la no silêncio que se fez
No qual a mala se oculta
Quero amá-la no barulho dos fonemas
Transitando nos poemas que lhe destino pelo vento
Conhecedor do teu corpo. (02/06/17)


quinta-feira, 1 de junho de 2017

Poema direto III



A mala vai
E vem
Passa de mão em mão
Oculta- se
Exibe-se o mistério
Vozes se calam
Culpas se erguem
Delações se tecem
Caem no silêncio
E a tal mala não se mostra
Nem se abre
Fazendo o enigma persistir. (28/05/17)



Poema direto II

mala vai
mala vem
só a minha que não vem
quando virá minha mala sem mistérios?
Minha mala nada oculta
quase tudo guarda
o que se oculta não é dinheiro
no bolso do meu terno dileto
o que se oculta é a amante que não tive
que me foi dada nua em fotografia
quando abro a mala ainda vejo
seu corpo em preto e branco
encostando-se nos poemas que abandonei.(26/05/17)

Poema direto I

amá-la quero
a mala do mistério
custa-me mais
causa-me mais medo
que amá-la indo
ou amá-la vindo. (25/05/17)



Cilada

A serpente dourada voava acima dos amantes
devorava frutas
tecia armadilhas enquanto voava
os amantes do Éden nem imaginavam
mas sabiam que seriam tentados
não sabiam se iriam resistir
nada sabiam das armas e defesas
ainda eram desprovidos do conhecimento
que nos conduz aos braços da morte
e eles tropeçaram  e ainda hoje
a tal serpente ri por todo ocidente
conduzindo outros tantos à queda. 


trovas

Caí no teu esquecimento
na rua nem me notas
acho que não tens nenhum sentimento
és indiferente até às minhas marmotas.


Melisa  por onde andará?
onde ela estiver espalha beleza
sua fala diz a todos os ventos  que não se acabará
minha paixão por ela isso é que é certeza.


Hoje canto com Nossa Senhora
me acompanha seu canto de amor
que alegra bem  mais minha alma nesta hora
levo seu magnificat por onde eu for.


Tua boca era minha tu me dizias
Hoje vendo tua boca em outra boca
Recordo  sem alegrias
Que tinhas a cabeça oca.


Trago para minha trova Maria Santíssima
Minha justa advogada no céu
Se na terra algum dia eu for réu
Socorrei-me também minha mãe justíssima.



segunda-feira, 1 de maio de 2017

Aquelas pernas




É domingo
Sento-me no Ponto do Café
A moça me vem peço-lhe um capuccino
Pessoas vem e vão
Aquelas pernas são de endoidecer
Elas já se foram mas ainda estão no meu lembrar
Cai-me na memória Vinícius de Moraes
E a sua poesia se revela diante dos meus olhos
É domingo
O capuccino esfriando na mesa
E eu aqui no shopping pensando em uma metáfora
Evocando a poesia
E aquelas pernas já se foram
Levaram meu poema com elas?
Ou ele ficou aqui cá dentro de mim remoendo imagens?
É domingo
Salve-me poetinha estimado
Mulheres vem e vão
Mas aquelas pernas!
Entrego-as à ficção. (02/04/17)


Sempre assim



Tu és tão branquinha
Que tu ficas rosada ao me sorrir
Fazes-me recordar a manga
Que eu chupava na infância
Vem me trazer memórias
De um tempo que passou
Vem cair nos meus olhos
E deitar teu cheiro nas minhas narinas
Porque a noite já vem
E tu vais me deixar só
No meu leito de palavras. (06/04/17)