segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Garota do shopping IV






















Minha garota que é um manequim
Ficou exausta de me esperar
Foi-se com outro
Que tinha poemas nas linhas das mãos
E se dizia poeta. (14/07/16)



Mormaço de um novo tempo



Faz escuro
Deito palavras nas linhas dos versos
Carentes de um poema
Faz escuro
E meu canto ondeia no ar
Faz escuro
E eu luto com palavras
Faz escuro
Neste tempo Temeroso
Faz escuro
Mas eu vou me aquietando
Na luz do teu olhar
Faz escuro
Mas tudo reparto
Até a solidão
Faz escuro
No país todo
Juntemos os nossos olhares
Neste novo dia
E o sol saltará dos nossos olhos
Sendo a luz que nos falta. (10/07/16)

Em juízo

Penso, logo minto.
Gaguejo
Sondas tudo
Deixas-me sem saída
Com a paródia
Entre os dentes
Tentando fazer-se verdade
Nos meus lábios. (09/12/13)

Verso inicial de Reynaldo Damazio


És poesia

Vendo-te assim tão formosa
deixo a poesia falar
deixo que ouças meu silêncio
deixo que seus encantos escorram
nas linhas dos versos
que ainda não são meus
vendo-te assim tão formosa
nem digo que sou poeta
porque tu és a poesia
que eu  desejo  encontrar
no meu leito de palavras... (06/12/13)

O verso que se repete é de Adaucto Gondim


Labor

olho muito tempo o corpo  de um poema
deito-o em várias posições
faço-o andar
fico a vê-lo sumir na estrada
tomara que outros olhos
lhe destinem sua atenção
tomara que outras vozes
se apossem dele
fazendo-o ondear no ar. (05/12/13)


Verso inicial de Ana Cristina Cesar 

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Garota do shopping I




Ela é um manequim
Andamos pelo shopping
Minha mão se acomoda em sua cintura
E ela me dá toda sua atenção
Nem dá ouvidos aos chamados que lhe destinam
Umas vozes gritam por Creusa
Outras tantas por Priscila
Essa pequena me endoidece
E a todos do seu convívio
Por ser Creusa para ninguém
E Priscila para todos
Mas ontem foi ela quem perdeu a cabeça
Ao ver-me caindo nos olhos da sua prima. (30/04/16)


Oh pasárgada

Passa
Pasárgada
Traga-me prostitutas bonitas
Para eu namorar
Não careço de alcalóide
A cerveja me basta
Pasárgada, passe por aqui
Demora-te aqui
Enquanto passas
Oh pasárgada!!  (08/05/16)


Não vais me escutar

 Aos tempos Temerosos


Orei a ti
Não me escutaste
Minha oração se fez cantiga
Não a escutaste
Por isso pouco durmo
E não consigo acordar calado
Persisto orando a ti
Quando fico exausto canto
Faço-me teu filho enquanto te chamo aos gritos:
-pai, afasta de mim este cálice
Vejo-o tão cheio
Tão pesado
Tão desobediente
Diante dos meus olhos crentes
Que tu não vais me escutar. (18/05/16)

Teu olhar




Quando eu encontro teu templo aberto
Adentro-me
Ajoelho-me diante de ti
Doem-me  os joelhos
Reitero minhas súplicas
Não faço barulho aos teus ouvidos
Tu não me dizes nada
E eu me vou satisfeito
Porque o teu olhar caiu no meu. (05/06/16)



Trovas


Trova I

Ouço a cigarra cantar
Uma dor que não é só nossa
Até quem não está a amar
Sente-se na fossa.



Trova II
A cigarra que fico a escutar
É o meu filho a cantar
Sua voz ecoa por toda a casa
Voa alto como se tivesse asa.



Trova III

Vi uma ruiva saltitando
Seu encanto cativou meu olhar
Fiquei no meu canto só olhando
A bela jovem se aproximar.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Em plena luz





um harém de sombras dançam nos meus olhos
fecho-os
abro-os novamente
o harém de sombras  dançantes continuam
fazendo trevas sobre mim
penso na luz dos teus olhos grandes
mas tu não estás aqui
encontro um livro com teu cheiro
aproximo-o das narinas e me vou sem abrir os olhos
como se eu estivesse em plena  luz. (25/04/16)


Corte ao golpe







eu faço corte ao golpe
que tu deitas entre as pernas
eu faço corte ao golpe que não sara
eu faço corte ao golpe sem ponto sem nós
eu faço corte ao golpe que sangra
eu faço corte ao golpe
que tu dizes que é só meu. (16/04/16)